Agressor e Vítima

É muito mais fácil sentir compaixão com as vítimas do que com os agressores. Bert Hellinger foi no mínimo ousado ao afirmar que precisamos olhar com compaixão aos dois lados desta relação. Para o autor, tanto vítima como agressor estão a serviço de um sistema maior, identificados e seguindo destinos maiores e anteriores a eles.

Nas guerras, as gerações mais novas carregam consigo as justificativas e dores de seus ancestrais. O que iniciou o conflito pode estar no passado, mas ainda atua mantendo o vínculo através do ódio. As “guerras domésticas” também funcionam assim. As angústias vivenciadas por uma geração tem impacto sobre seus descendentes, pois estes aprendem com sua visão de mundo, suas regras e crenças familiares.

A criança segue cegamente seus pais e familiares, por amor e em busca de pertencimento toma indiscriminadamente o que estes lhe oferecem. A falta de respeito, a raiva descontrolada, a violência que uma criança presencia em sua família de origem criam marcas sobre como lidar com estes sentimentos e conflitos. Então, esta segue a vida na ambivalência deste amor e da raiva, bem como todas as suas consequências, mesmo que isto lhe custe a vida. Então, para pertencer e se igualar a seu sistema familiar, alguém inconscientemente aceita relações violentas ou com pouco respeito.

Olhar para a vítima com pena não ajuda, ao contrário, enfraquece. Olhar para o agressor com raiva se torna redundante, gerando mais raiva. Nenhum consegue seguir adiante e enfrentar suas consequências.

É importante ressaltar que a compaixão ao agressor não o exime da responsabilidade de seus atos. Aqui se trata se uma postura interna de aceitação e respeito – que atua diferente das leis que organizam nossa sociedade. É justo que um agressor pague pelo dano causado.

Porém, olhar internamente com respeito para estas relações, inclusive aquelas que ocorreram em nosso próprio sistema familiar nos coloca numa postura de inclusão e amor. Neste amor, podemos nos libertar, honrando nossos antepassados sem a repetição de seus destinos difíceis.

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